Quem deve retornar à Assembleia Legislativa de Rondônia em 2026?
- 13 de jan.
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Uma análise cuidadosa dos deputados estaduais rumo ao próximo mandato.
Rondônia caminha para um ciclo eleitoral de alta temperatura política. Em outubro de 2026, o eleitor vai às urnas para escolher presidente, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais — e é justamente na disputa proporcional (ALE-RO) que costuma morar a maior imprevisibilidade: coligações partidárias, desempenho de “puxadores”, força regional, capilaridade municipal e, principalmente, a capacidade de converter presença em voto na reta final.
A seguir, uma análise estritamente jornalística e analítica, com os deputados que estão exercendo o mandato hoje, organizados em ordem alfabética, trazendo partido (com base no quadro partidário divulgado pela própria Assembleia) e a votação nominal de 2022 (referência objetiva para medir densidade eleitoral e ponto de partida para 2026).

Nota técnica: os votos listados são da eleição de 2022. No caso de Eyder Brasil, ele assumiu o mandato como suplente, mas sua votação de 2022 ajuda a dimensionar o tamanho real do seu eleitorado.

Alan Queiroz (Podemos) — 10.553 votos (2022)
Alan ocupa um espaço de discurso mais institucional, com apelo a um eleitorado que costuma cobrar coerência, fiscalização e entregas visíveis. Para 2026, o centro da disputa dele tende a ser ampliar alcance: sair do nicho do “mandato bem avaliado por quem acompanha política” para o patamar de voto popular distribuído, o que no sistema proporcional faz enorme diferença. A força do Podemos no tabuleiro estadual — e a composição de chapa — pode pesar tanto quanto o desempenho individual.

Alex Redano (Republicanos) — 19.549 votos (2022)
Como figura de grande exposição na estrutura da Casa, Redano entra em qualquer projeção como nome de alta lembrança. Sua trajetória está fortemente conectada a Ariquemes e região, onde construiu capital político ao longo do tempo. Em 2026, a vantagem dele é o recall e a musculatura partidária; o risco é o que acompanha quem ocupa o topo: cobrança maior, rivalidade mais explícita e tendência a virar alvo preferencial — tanto na disputa interna da própria chapa quanto de adversários.

Cássio Gois (PSD) — 17.753 votos (2022)
Cássio se encaixa no perfil de mandato que busca transformar atuação em entrega regional. No PSD, partido que tradicionalmente trabalha bem a lógica municipalista, a reeleição costuma depender de dois motores: rede de apoios locais (prefeitos/vereadores/lideranças) e capacidade de manter agenda constante no interior. A votação de 2022 indica base competitiva; para 2026, o desafio é proteger esse território de novos nomes e do “efeito novidade” que sempre cresce em ano de eleição geral.

Cirone Deiró (União Brasil) — 22.207 votos (2022)
Cirone é um exemplo clássico de força construída no interior: presença física, diálogo municipal e constância de base. O União Brasil carrega grande peso na Assembleia (bancada numerosa), o que pode ser vantagem em estrutura e também risco por concorrência interna forte. Em 2026, a chave para Cirone tende a ser manter o padrão que o elege: capilaridade, agenda regional e uma narrativa clara de resultados.

Cláudia de Jesus (PT) — 8.845 votos (2022)
Cláudia tem um mandato ancorado em pautas sociais e de representação, com eleitorado mais ideológico e orgânico. Em cenários polarizados, esse tipo de base pode crescer; em cenários de apatia ou baixa mobilização, pode encolher. A disputa dela costuma ser menos sobre “ser conhecida” e mais sobre transformar militância em voto proporcional suficiente. O PT, por ter bancada menor, geralmente depende muito de como a chapa vem montada e do clima nacional/estadual no ano.

Delegado Camargo (Republicanos) — 11.804 votos (2022)
Camargo consolidou identidade na segurança pública e em posicionamentos diretos. Esse tipo de marca gera duas coisas ao mesmo tempo: engajamento forte e rejeição consolidada — e a eleição proporcional muitas vezes é vencida por quem equilibra paixão e amplitude. Se o tema segurança voltar ao centro do debate em 2026 (como costuma ocorrer), ele tende a surfar; se a agenda pública pender para economia/custo de vida/serviços, a reeleição pode exigir ampliar pauta.

Delegado Lucas (PP) — 14.298 votos (2022)
Lucas também se posiciona com identidade forte ligada à segurança, mas dentro de uma legenda (PP) que costuma trabalhar muito bem capilaridade e pragmatismo político. O desempenho dele em 2026 passa por manter a base fiel e impedir que o voto de segurança “se fragmente” entre muitos candidatos do mesmo campo. A vantagem é a clareza de bandeira; o risco é a concorrência por um eleitorado que, em Rondônia, pode ser disputado por vários nomes com discurso semelhante.

Dr. Luís do Hospital (MDB) — 18.248 votos (2022)
Mandatos com forte vínculo na saúde têm uma característica: o tema nunca sai de pauta — e, ao mesmo tempo, é onde a cobrança é mais dura, porque o problema é diário. Dr. Luís parte de uma votação robusta e do guarda-chuva do MDB (bancada relevante). Em 2026, o que pesa para ele é transformar atuação e presença em entregas facilmente comunicáveis (equipamentos, custeio, melhorias, articulações), além de preservar conexão com pacientes, profissionais e redes municipais.

Dra. Taíssa Sousa (Podemos) — 7.649 votos (2022)
Taíssa tem um perfil com linguagem contemporânea e potencial de mobilização nas redes, além do peso de ser um nome jovem no plenário. A migração partidária para o Podemos é um elemento importante do tabuleiro (reorganiza apoios e espaço de chapa). O ponto-chave para 2026 é transformar visibilidade em voto distribuído: não basta engajar; precisa converter engajamento em urna, especialmente no interior, onde a lógica do contato e da rede local continua decisiva.

Edevaldo Neves (PRD) — 8.565 votos (2022)
Edevaldo tem base muito conectada às categorias ligadas à segurança e ao sistema penal, o que costuma oferecer eleitorado organizado. Isso é vantagem porque dá chão; mas também pode ser limite, se o mandato não conseguir ampliar pontes para áreas como saúde, infraestrutura e demandas municipais que puxam voto proporcional. Em 2026, a missão é manter a fidelidade do núcleo e abrir canais de expansão.

Eyder Brasil (PL) — 7.892 votos (2022) (suplente; exerce mandato hoje)
Eyder está em um lugar politicamente delicado e, ao mesmo tempo, cheio de oportunidade: quem assume como suplente precisa correr contra o relógio para consolidar marca, pautas e presença. O ponto forte é que o eleitor tende a reconhecer quem aparece trabalhando e entrega resultado.Para 2026, o desafio é cristalino: construir identidade própria, não ser visto apenas como “quem ocupou a cadeira”, e formar rede municipal que sustente uma votação acima do mínimo necessário dentro da lógica de chapa do PL.

Ezequiel Neiva (União Brasil) — 20.895 votos (2022)
Ezequiel entra no grupo dos que já chegam com musculatura eleitoral. Seu perfil é de interior, presença constante e diálogo com municípios menores — uma estratégia que, em Rondônia, segue sendo das mais eficientes. O União Brasil terá disputa interna pesada; então, além da força própria, 2026 exige atenção à engenharia da chapa e à concorrência dentro do mesmo campo político, que pode disputar o mesmo território.

Gislaine Lebrinha (União Brasil) — 12.623 votos (2022)
Gislaine trabalha muito a lógica comunitária e projetos de vínculo social, o que costuma gerar eleitorado fiel quando a presença é mantida. No União Brasil, onde há vários nomes fortes, a reeleição tende a depender de: base bem delimitada, comunicação de entregas e capacidade de não deixar seu eleitor “escapar” para candidatos com estrutura municipal maior.

Ieda Chaves (União Brasil) — 24.667 votos (2022)
Ieda aparece como um dos nomes mais sólidos em termos de votação, com bandeiras bem identificadas (mulheres, proteção, causas específicas) e alto potencial de mobilização. Para 2026, ela parte de uma posição confortável, mas há sempre um cuidado: votações altas criam expectativa alta. A disputa dela tende a ser menos “sobre sobreviver” e mais sobre manter a densidade eleitoral e evitar erosão por pulverização de candidaturas em pautas semelhantes.

Ismael Crispin (MDB) — 23.417 votos (2022)
Ismael tem uma construção fortemente ligada ao eixo BR-429 e região de São Miguel do Guaporé, com trajetória municipal e narrativa de interior muito bem definida. O patamar de votos dele o coloca entre os nomes mais competitivos para 2026. O ponto sensível, como sempre, é administrar o tamanho: quanto maior a votação anterior, maior o esforço para manter o mesmo nível. No MDB, a tendência é disputar também protagonismo interno e espaço de chapa.

Jean Mendonça (PL) — 13.488 votos (2022)
Jean Mendonça atua num território político onde a pauta econômica, empreendedorismo e municipalismo se misturam. O PL tende a atrair eleitorado ideológico forte, mas isso não garante automaticamente a reeleição: é a soma entre discurso, rede local e entregas percebidas. Em 2026, Jean precisa sustentar base, evitar dispersão interna e acompanhar como o partido vai montar chapa e “puxadores”.

Jean Oliveira (MDB) — 17.125 votos (2022)
Veterano e conhecido, Jean é exemplo de mandato municipalista, com histórico de reeleições e trânsito político. Sua biografia oficial aponta origem em Alta Floresta do Oeste, onde seu nome tem lastro regional, e ele se apresenta como quadro consolidado no MDB hoje. Em 2026, a reeleição dele depende menos de “ser lembrado” e mais de manter a lógica que o sustenta: alianças municipais, atendimento de demandas locais e capacidade de manter protagonismo num cenário que sempre renova nomes.

Laerte Gomes (PSD) — 25.603 votos (2022)
Laerte foi o mais votado em 2022 — um dado que por si só altera o patamar de análise. Ele entra como favorito natural a estar no próximo mandato, desde que mantenha ritmo e coesão de base. O PSD costuma operar muito bem a política municipalista, e Laerte tem trajetória ligada ao interior e redes consolidadas.O risco de quem lidera votação é virar alvo preferencial: adversários tentam “tomar” regiões e segmentos, e a cobrança cresce. A vantagem é que ele já larga como referência de força eleitoral.

Luizinho Goebel (Podemos) — 14.162 votos (2022)
Luizinho tem um perfil de presença comunitária e ligação com bases locais, o que é muito eficiente em Rondônia. A mudança para o Podemos reorganizou o quadro e pode impactar alianças e construção de chapa. Para 2026, o foco é proteger seu território e evitar que o voto se dilua: em eleições gerais, surgem muitos candidatos com campanha forte no interior e com redes parecidas.

Marcelo Cruz (PRTB) — 18.798 votos (2022)
Marcelo ocupa espaço de protagonismo institucional e mantém visibilidade alta. Sua biografia aponta origem e atuação conectadas a Porto Velho, com histórico político na capital. O ponto central para 2026 é como a imagem de liderança e condução política se converte em voto proporcional: pode ajudar (autoridade e exposição), mas também pode atrair antagonismos. A migração para o PRTB é parte do redesenho partidário e influencia diretamente arranjos e palanques.

Nim Barroso (PSD) — 7.609 votos (2022)
Nim se apresenta com base ligada a Ji-Paraná, com trajetória local e inserção na dinâmica municipal. Para 2026, o desafio é claro: ampliar “peso eleitoral” (voto distribuído) para além do núcleo original e consolidar uma marca de entregas que seja facilmente reconhecida. No PSD, a disputa interna é real, então a estratégia precisa combinar base firme + expansão.

Pedro Fernandes (PRD) — 10.950 votos (2022)
Pedro tem identidade muito marcada pelo interior, com reconhecimento em Cujubim (onde é conhecido localmente) e construção baseada em vínculo comunitário. Em 2026, o ponto é proteger esse eleitorado regional e evitar que novas candidaturas capturem o mesmo perfil. A vantagem é a conexão local; a missão é ampliar alcance para garantir segurança no sistema proporcional.

Ribeiro do Sinpol (PRD) — 9.751 votos (2022)
Ribeiro é uma das vozes mais identificadas com a pauta de segurança e categorias organizadas. Esse eleitorado costuma ter disciplina e presença, mas cobra resultado concreto. Para 2026, ele precisa preservar o núcleo fiel e ampliar diálogo com demandas que puxam voto fora do segmento: saúde, infraestrutura, educação, serviços e problemas municipais cotidianos.

Rosângela Donadon (União Brasil) — 12.097 votos (2022)
Rosângela atua em pautas sociais e comunitárias, com potencial de mobilização por identificação. No União Brasil, com vários nomes fortes, o peso da reeleição é: base bem definida, agenda constante e comunicação de entregas. Em 2026, a disputa interna pode ser tão dura quanto a externa — e é aí que organização territorial e fidelidade do eleitor fazem diferença.
Reta final: por que 2026 tende a ser mais dura
A eleição de 2026 para a Assembleia Legislativa de Rondônia tende a ser uma das mais competitivas dos últimos ciclos, por três razões práticas:
Chapas mais disputadas e pulverização de candidaturas: quanto mais nomes competitivos entram, mais o voto se fragmenta — e isso muda o “corte” real dentro de cada partido.
Peso do interior e da rede municipal: em Rondônia, reeleição quase sempre passa por presença territorial, alianças locais e capacidade de transformar mandato em entregas perceptíveis.
O efeito “reorganização”: mudanças partidárias, fortalecimento de novas lideranças e o debate estadual/nacional (governo, Senado, Presidência) costumam mexer com a lógica do voto proporcional — às vezes “puxando” candidatos, às vezes derrubando favoritos por arrasto.
Com os números de 2022 na mesa, já dá para separar perfis: há parlamentares que entram em 2026 com densidade eleitoral de ponta (votações muito altas), outros com posição competitiva e consolidada, e um grupo que precisará de expansão real de base para não ficar vulnerável à maré do sistema proporcional. E é exatamente por isso que a pergunta “quem volta?” não se resolve com achismo: ela se decide na soma de base + chapa + contexto + capacidade de conversão em voto.




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