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Marcos Rocha troca o União Brasil pelo PSD: o que muda no tabuleiro de Rondônia para 2026

  • 31 de jan.
  • 5 min de leitura

A filiação do governador Marcos Rocha ao PSD, oficializada em ato ao lado de Gilberto Kassab, não representa apenas uma mudança partidária formal. Trata-se de um reposicionamento estratégico que altera o centro de gravidade do jogo político em Rondônia e projeta efeitos diretos sobre a disputa de 2026 — tanto no plano estadual quanto no alinhamento nacional.

O movimento ocorre em um contexto em que Kassab reposiciona o PSD como força de centro com musculatura nacional, articulando três possíveis presidenciáveis dentro da legenda: Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Júnior. Ao atrair Marcos Rocha, o PSD amplia sua presença regional na Amazônia e adiciona ao partido um governador que, até aqui, sempre foi identificado com o campo da direita conservadora.


Foto: Marcos Rocha e Gilberto Kassab / Gerada por IA
Foto: Marcos Rocha e Gilberto Kassab / Gerada por IA

Do bolsonarismo à política de centro: a metamorfose de uma imagem

Eleito em 2018 em meio à forte onda bolsonarista, Marcos Rocha construiu sua identidade política inicial diretamente vinculada ao então candidato Jair Bolsonaro. À época, desconhecido no cenário estadual, Rocha se apresentou como o “candidato do Bolsonaro” e colheu os frutos de um eleitorado mobilizado pela pauta conservadora e antipetista.

Em 2022, já no União Brasil, Rocha manteve diálogo com o bolsonarismo, mas passou a adotar um discurso mais institucional e pragmático, ampliando alianças e reduzindo a dependência direta da imagem do ex-presidente. Agora, ao ingressar no PSD, o governador dá um passo além: abandona um partido de direita liberal e se ancora em uma legenda de centro, marcada pela capacidade de articulação transversal e pela proximidade com o poder nacional, independentemente de quem esteja no Palácio do Planalto.

A grande questão que se coloca não é apenas partidária, mas simbólica: Marcos Rocha se consolida como um político de centro-direita pragmático ou tenta manter, mesmo no PSD, a identidade de liderança conservadora que o elegeu?


O reflexo imediato em Rondônia: o controle do tabuleiro

No plano estadual, a filiação tem impacto direto porque Marcos Rocha não chega ao PSD como um quadro comum. Ele assume o comando político da legenda em Rondônia, transformando o partido em extensão direta do Palácio Rio Madeira.

Isso significa que o PSD passa a concentrar:

  • o eixo de articulação do governo estadual;

  • a montagem das chapas proporcionais e majoritárias;

  • o poder de atração sobre prefeitos, vereadores e lideranças regionais que buscam alinhamento com a máquina estadual.

Na prática, o governador passa a controlar um novo centro político, capaz de reorganizar alianças e redesenhar projetos eleitorais em todo o estado.


2026: os cenários que se abrem com a mudança

A filiação ao PSD amplia o leque de possibilidades para Marcos Rocha e para seu grupo político.


1) Permanência no governo e construção da sucessão

Neste cenário, Rocha permanece até o fim do mandato e atua como fiador de um projeto de continuidade. O nome do prefeito Adailton Fúria surge como peça central desse desenho. Bem posicionado em pesquisas e com base consolidada no interior, Fúria poderia se beneficiar diretamente do apoio institucional do governo e da estrutura partidária do PSD.

Aqui, Rocha assume o papel clássico de líder que transfere capital político, organiza alianças e tenta manter o controle do Executivo estadual no próximo ciclo.


2) Saída antecipada e disputa ao Senado

Outro cenário, sempre presente nos bastidores, é o de uma eventual candidatura de Marcos Rocha ao Senado. Embora o governador já tenha sinalizado resistência a essa possibilidade, o movimento partidário reacende a especulação. Caso isso ocorra, o estado entraria em um processo de rearranjo imediato, com impacto direto sobre a sucessão no governo e sobre a composição das chapas.

Esse caminho também abriria espaço para um projeto mais amplo do grupo familiar, com hipóteses de candidaturas proporcionais ligadas ao núcleo político do governador — movimento comum em ciclos de encerramento de mandato.


3) Rocha como grande articulador do centro-direita rondoniense

Há ainda um terceiro caminho, mais sofisticado: Rocha utiliza o PSD como plataforma de articulação de centro, sem romper com o eleitorado conservador. Nesse modelo, ele se posiciona como ponte entre a direita local e o centro nacional, mantendo diálogo com bases bolsonaristas ao mesmo tempo em que amplia sua capacidade de negociação institucional.


O que observar a partir de agora: os sinais concretos do plano em curso

Mais do que discursos, alguns movimentos objetivos devem revelar qual desses cenários tende a se consolidar.


1. O comando efetivo do PSD em Rondônia e o reposicionamento interno do partido

Embora Marcos Rocha assuma a liderança política do PSD no estado, o partido já tinha uma estrutura organizada sob o comando de Expedito Júnior, hoje pré-candidato a deputado federal. A partir de agora, a dinâmica interna passa a ser decisiva: Expedito se mantém como peça estratégica dentro do novo arranjo, atuando sob a liderança direta do governador e buscando o apoio do Palácio para viabilizar sua candidatura. Esse reposicionamento interno indicará se o PSD caminhará de forma orgânica e coesa ou se enfrentará tensões entre projetos já em andamento e o novo centro de poder.


2. A agenda nacional de Marcos Rocha dentro do PSD

A frequência e o peso dos encontros de Rocha com Gilberto Kassab e com governadores do PSD revelarão o grau de integração nacional do governador. Uma presença constante em agendas estratégicas indica que Rocha passa a operar não apenas como líder regional, mas como ativo político do partido no projeto nacional.


3. O movimento de prefeitos, deputados e lideranças regionais

Migrações partidárias silenciosas costumam anteceder grandes anúncios. A aproximação de prefeitos e parlamentares ao PSD será um termômetro claro de onde o poder está se concentrando e quem aposta na continuidade do grupo governista.


4. A sinalização clara sobre 2026

O discurso de Rocha sobre o Senado ou sobre a permanência no governo tende a se tornar mais objetivo ao longo de 2026. Qualquer mudança de tom reorganiza automaticamente o tabuleiro político estadual.


5. A consolidação de um nome para a sucessão

Se o governo passar a “carimbar” publicamente um sucessor — especialmente Adailton Fúria — e esse nome começar a receber apoios em bloco, o cenário da continuidade se impõe como o mais provável.


Mais que uma troca de sigla, uma redefinição de poder

A ida de Marcos Rocha para o PSD não é um gesto isolado, nem meramente burocrático. Ela insere Rondônia em uma engrenagem nacional comandada por Gilberto Kassab e, ao mesmo tempo, redefine o eixo interno do poder estadual.

Rocha deixa para trás a imagem exclusiva de governador eleito pela onda bolsonarista de 2018 e se apresenta, agora, como um operador político de centro-direita, com trânsito institucional e capacidade de articulação ampliada. Se isso representará uma ruptura definitiva com o bolsonarismo ou apenas uma adaptação estratégica ao novo ciclo político, será definido pelos próximos movimentos.

O fato central é incontestável: o tabuleiro segue nas mãos de Marcos Rocha — mas, agora, as peças se movem sob a bandeira do PSD.

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