Governador Marcos Rocha Exonera Comandante-Geral da PMRO e Nomeia Coronel Glauber Souto para o Comando
- 14 de jan.
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PORTO VELHO – Nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (União Brasil), oficializou a exoneração do Coronel Régis Wellington Braguin Silvério do cargo de Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de Rondônia (PMRO). Em seu lugar assume o então subcomandante-geral, Coronel Glauber Ilton de Souza Souto, marcando uma mudança importante no comando da principal instituição de segurança pública do Estado.

Saída de Braguin encerra um ciclo marcado por protagonismo e desgaste
O Coronel Régis Braguin assumiu o comando-geral da PMRO em julho de 2023 e construiu uma trajetória singular dentro da corporação: foi o primeiro comandante-geral oriundo da base, tendo ingressado na Polícia Militar como soldado. Essa ascensão lhe garantiu, durante parte da gestão, respaldo expressivo da tropa.
Sob seu comando, a PMRO intensificou operações ostensivas, ampliou a presença em áreas sensíveis e ganhou visibilidade pública. Braguin adotou um perfil ativo e midiático, frequentemente associado a ações de enfrentamento direto à criminalidade.
Nos últimos meses, porém, sua permanência no cargo passou a enfrentar crescentes questionamentos políticos e institucionais. Episódios envolvendo convocações na Assembleia Legislativa, resistências iniciais ao comparecimento em audiências públicas e denúncias levantadas por parlamentares contribuíram para o desgaste do comandante.
Além disso, a possibilidade de Braguin ingressar na vida política, com especulações sobre uma eventual candidatura em 2026, passou a ser vista nos bastidores como um fator de desconforto para o governo estadual, sobretudo em um momento em que Marcos Rocha busca estabilidade administrativa e alinhamento institucional.
A exoneração, embora esperada, encerra um ciclo de forte exposição e marca uma mudança de estratégia do Executivo em relação à condução da segurança pública.
Quem é o novo comandante-geral, Coronel Glauber Souto
O Coronel Glauber Ilton de Souza Souto assume o comando da Polícia Militar com um perfil considerado mais técnico, discreto e institucional. Oficial de carreira, ele ocupava até então o cargo de subcomandante-geral da PMRO, sendo responsável direto pela gestão interna e pela coordenação de operações estratégicas.
Ao longo de sua trajetória, Souto esteve à frente de operações sensíveis de enfrentamento a facções criminosas, especialmente na capital Porto Velho, e construiu reputação de oficial disciplinado, com forte foco na hierarquia, no planejamento e na integração entre forças de segurança.
Diferente do antecessor, o novo comandante não tem histórico de protagonismo político ou exposição excessiva, o que pesa a seu favor em um momento em que o governo busca reduzir ruídos, recompor pontes com o Legislativo e preservar a imagem institucional da PMRO.
Nos bastidores, sua nomeação é vista como uma escolha de “contenção”, voltada à estabilidade e à continuidade operacional da corporação.

Pressão política acelerou decisão do governador
A troca no comando da Polícia Militar não foi um movimento isolado. Nas últimas semanas, deputados estaduais passaram a pressionar publicamente o governador Marcos Rocha, cobrando mudanças e sinalizando insatisfação com a condução da PM.
Embora tecnicamente não se tratasse de um pedido de impeachment – instrumento aplicável a chefes do Executivo –, houve articulações políticas na Assembleia no sentido de formalizar solicitações institucionais ao governador, reforçando o desgaste do comando anterior.
Diante desse cenário, Marcos Rocha optou por agir, promovendo a substituição e sinalizando sensibilidade às demandas do Legislativo, ao mesmo tempo em que reafirma sua autoridade sobre a estrutura de segurança pública do Estado.
O que muda para a Polícia Militar e para Rondônia
A nomeação do Coronel Glauber Souto representa uma mudança de estilo, mais do que uma ruptura operacional. A expectativa é de continuidade das ações de combate ao crime, porém com menos embates políticos e maior foco na gestão interna, disciplina e coordenação institucional.
Para o governo, a troca tende a reduzir tensões, reorganizar o ambiente político e preservar a imagem da PMRO como instituição de Estado, não de projetos pessoais ou eleitorais.
Para a sociedade rondoniense, o desafio permanece: manter os índices de segurança sob controle em um contexto de criminalidade cada vez mais complexa, exigindo liderança firme, técnica e alinhada às demais instituições.
A nova fase da Polícia Militar começa sob observação atenta – tanto da tropa quanto da classe política.




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