União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico para criar maior área de livre comércio do mundo
- 17 de jan.
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Tratado firmado em Assunção encerra 25 anos de negociações e prevê redução gradual de 90% das tarifas; texto ainda passará por ratificação parlamentar.
Após mais de duas décadas de tratativas, líderes da União Europeia (UE) e do Mercosul oficializaram, neste sábado (17), a assinatura do acordo comercial entre os dois blocos. A cerimônia ocorreu em Assunção, no Paraguai, no mesmo local onde o tratado de fundação do Mercosul foi assinado em 1991. O novo pacto estabelece a maior zona de livre comércio global, integrando mercados que somam um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões e alcançam cerca de 720 milhões de pessoas.

O documento foca na redução ou eliminação progressiva de tarifas de importação e exportação, abrangendo mais de 90% do volume comercializado entre as regiões. Além da queda de impostos, o texto padroniza normas para investimentos, bens industriais, produtos agrícolas e critérios regulatórios.
Integração e multilateralismo
Durante o evento, autoridades destacaram que o tratado simboliza uma opção pela cooperação internacional em um período de instabilidade geopolítica. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ressaltou que a parceria prioriza o "comércio justo" em detrimento do isolacionismo. No mesmo sentido, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o objetivo é fortalecer redes de confiança e gerar riqueza de maneira sustentável, sem criar dependências.
Anfitrião do encontro, o presidente paraguaio Santiago Peña descreveu a assinatura como um "feito histórico" que une dois dos mercados mais relevantes do planeta. Outros chefes de Estado, como Javier Milei (Argentina) e Yamandú Orsi (Uruguai), reforçaram que o acordo reafirma o compromisso com a democracia e o Estado de Direito, embora Milei tenha alertado para a necessidade de evitar barreiras futuras que possam limitar o impacto econômico planejado.
O papel do Brasil e a ausência de Lula
Apesar de ter sido citado como peça fundamental para a conclusão das negociações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o único chefe de Estado do Mercosul ausente na cerimônia de assinatura. O Brasil foi representado em Assunção pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Lula havia se reunido com Ursula von der Leyen na sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, onde celebrou o fim do impasse de 25 anos e destacou que a parceria garantirá padrões elevados para a defesa do meio ambiente e direitos trabalhistas. Dados da Comissão Europeia reforçam a importância brasileira no bloco: o país é responsável por 82% das importações europeias vindas do Mercosul e por 79% das exportações da UE para a região sul-americana.
Próximas etapas para o vigor do acordo
A assinatura realizada no Paraguai não garante a entrada imediata das novas regras em vigor.
O cronograma agora depende de etapas políticas e burocráticas sensíveis:
Ratificação nacional: O texto precisa ser aprovado pelos parlamentos de cada país membro dos dois blocos.
Parlamento Europeu: O órgão legislativo da UE também deve dar o aval final ao documento.
Especialistas e líderes preveem que o caminho para a ratificação definitiva será longo, dada a complexidade política envolvida na validação de tratados internacionais desta magnitude.




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