Marcos Rocha no centro do tabuleiro: por que o governador virou a peça mais disputada da sucessão em Rondônia (2026)
- 16 de jan.
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A sucessão estadual de Rondônia em 2026 começa a se desenhar como uma das mais complexas e abertas das últimas décadas. Diferente de outros ciclos eleitorais, não há, até o momento, um nome natural, hegemônico ou incontestável para ocupar o Palácio Rio Madeira. O que há é um tabuleiro fragmentado, com múltiplas forças políticas em movimento — e, no centro desse tabuleiro, um personagem que, mesmo fora da disputa direta até agora, concentra poder, tempo e capacidade de decisão: o governador Marcos Rocha.
A opção anunciada por Rocha de permanecer no governo até o fim do mandato, abrindo mão, ao menos neste momento, de disputar o Senado, alterou profundamente o ambiente político. Ao não deixar o cargo, o governador preserva a estrutura administrativa, o controle da agenda institucional e a capacidade de influenciar alianças, tornando-se o principal fiel da balança da eleição.
Em política, especialmente em disputas majoritárias, quem controla o tempo e a estrutura não define apenas o jogo — define as regras.

A decisão de ficar: estabilidade, poder e capacidade de influência
A permanência de Marcos Rocha no governo até dezembro de 2026 produz um efeito imediato: retira o protagonismo institucional do vice-governador e concentra novamente no titular do Executivo a centralidade do processo político. O rompimento público entre Rocha e o vice Sérgio Gonçalves agravou esse cenário, encerrando qualquer expectativa de sucessão automática dentro do mesmo grupo.
Com isso, Rocha passa a exercer um papel clássico na política brasileira: o de grande articulador, capaz de:
sinalizar apoios;
influenciar alianças partidárias;
fortalecer ou enfraquecer projetos;
e definir o ritmo das entregas administrativas até o último ano de mandato.
Esse movimento não significa, necessariamente, imposição de um sucessor, mas cria uma realidade incontornável: todos os projetos competitivos precisam dialogar, direta ou indiretamente, com o governador.
Um cenário que pode mudar — e mudar tudo
Embora a decisão atual seja de permanecer no cargo, o cenário segue em aberto. Uma eventual mudança de rota — com Marcos Rocha entrando na disputa pelo Senado — provocaria um reposicionamento geral:
o vice assumiria o governo;
novas alianças seriam costuradas;
projetos hoje frágeis poderiam ganhar musculatura;
e candidaturas consolidadas poderiam ser redesenhadas.
Esse fator mantém o ambiente político em constante expectativa e reforça a leitura de que o jogo está em andamento, mas o tabuleiro permanece sob controle do governador.
Pesquisas indicam disputa aberta e espaço para crescimento
Levantamentos recentes mostram um cenário de empates técnicos, alta taxa de indecisão e variações conforme o desenho dos cenários. Nomes como Fernando Máximo, Marcos Rogério, Adailton Fúria, Confúcio Moura, Hildon Chaves e Ivo Cassol aparecem disputando as primeiras posições em diferentes simulações.
O retrato é claro: ninguém entra na disputa com vitória garantida, e o desempenho ao longo de 2026 — alianças, apoios, narrativa e estrutura — será determinante.
Os principais polos em formação:
A direita bolsonarista: Marcos Rogério
No campo da direita, Marcos Rogério (PL) se consolida como o principal representante do bolsonarismo em Rondônia. Seu apoio vem majoritariamente:
do interior do estado;
do agronegócio;
de eleitores conservadores;
e de setores mais ideológicos da direita.
Rogério ocupa um espaço claro: direita firme, sem moderação, o que lhe garante uma base fiel, mas exige ampliação de alianças para crescer em segmentos mais centrais do eleitorado.
O campo municipalista: Adailton Fúria
Adailton Fúria (PSD) segue construindo uma candidatura baseada no discurso administrativo, na relação com prefeitos e no fortalecimento regional. Seu crescimento está diretamente ligado à capacidade de articulação com lideranças locais e, sobretudo, à definição do posicionamento do governo estadual.
O campo progressista: reorganização e disputa por protagonismo
A esquerda entra em 2026 tentando romper um histórico de fragmentação:
Samuel Costa: militância consolidada e identidade ideológica
Samuel Costa (REDE) é hoje um dos nomes mais identificados com a esquerda em Rondônia. Sua trajetória é marcada por militância contínua, posicionamento claro em defesa do governo Lula e enfrentamento direto ao bolsonarismo.
Ex-PCdoB, Samuel construiu ao longo dos anos uma identidade progressista sólida, especialmente na capital. Mesmo sem grande estrutura partidária, sua força está:
na militância organizada;
na constância do discurso;
na presença pública;
e na defesa explícita de pautas nacionais da esquerda.
Hoje, Samuel se apresenta como o nome mais ideologicamente alinhado ao lulismo no estado, o que lhe garante protagonismo dentro do campo progressista.
Expedito Netto: entrada recente e aposta no eixo federal
No dia 15, Expedito Netto oficializou sua filiação ao PT, após passagem pelo PSD. Sua estratégia é clara: buscar viabilidade a partir do apoio do governo federal, usando sua experiência em cargos nacionais, como a Secretaria da Pesca.
A chegada de Expedito reorganiza a esquerda, mas também cria uma disputa interna por espaço e liderança, exigindo negociações para evitar pulverização de candidaturas.
Acir Gurgacz
Acir Gurgacz , segue como nome observado, com histórico eleitoral e influência partidária. Seu papel pode ser decisivo como articulador, apoiador ou possível candidato, dependendo do desenho final da frente progressista. Mas ao que tudo indica, será candidato à deputado federal.
Outros nomes que seguem no radar
Fernando Máximo: aparece bem posicionado em pesquisas e mantém forte recall eleitoral.
Hildon Chaves: ex-prefeito com alto índice de aprovação, ainda citado como possível candidato, apesar de perda de força após o último pleito municipal.
Confúcio Moura (MDB): nome histórico, respeitado, mas que enfrenta desgaste natural de ciclos longos.
Ivo Cassol: apesar de impedimentos jurídicos para disputar diretamente, segue como uma das figuras políticas mais influentes do estado, com capacidade real de transferir apoio e votos, especialmente no interior. Seu posicionamento pode ser decisivo para qualquer candidatura.
Delegado Flori e Thiago Flores: surgem como apostas alternativas, com potencial de crescimento dependendo do ambiente eleitoral.
Maurício Carvalho e o União Brasil
Dentro do União Brasil, a decisão de Marcos Rocha de permanecer no governo abriu espaço para novos movimentos. Maurício Carvalho, deputado federal, já sinalizou publicamente que, caso Rocha não dispute outro cargo, ele próprio pode entrar na corrida pelo governo.
Carvalho surge como uma alternativa dentro do campo governista, tentando ocupar o espaço deixado pela impossibilidade de uma sucessão direta e pelo desgaste da relação com o vice. Sua viabilidade dependerá:
da unidade partidária;
do posicionamento final de Rocha;
e da capacidade de dialogar com outras forças além do União Brasil.
O vice-governador: candidatura natural, mas enfraquecida
O vice-governador Sérgio Gonçalves é, naturalmente, um pré-candidato ao governo. No entanto, sem assumir o cargo e após a ruptura com o governador, larga em desvantagem.
Além de aparecer atrás nas pesquisas, Gonçalves enfrenta:
perda de estrutura institucional;
indefinição partidária (com especulações sobre migração para o PP);
e dificuldades para se consolidar como nome competitivo fora do governo.
Sem a vitrine do cargo, sua candidatura exige uma reconstrução política rápida para não ficar restrita a um campo limitado.
O jogo está em andamento, mas o centro é claro
Rondônia caminha para uma eleição marcada por múltiplas candidaturas, polarização ideológica e negociações intensas. Pesquisas mostram equilíbrio, os partidos se movimentam e o eleitorado ainda observa.
Mas há um ponto incontestável: o centro de gravidade da sucessão de 2026 passa, hoje, pelo governador Marcos Rocha.
Seja permanecendo no governo, articulando apoios, influenciando alianças ou até mudando de rota e entrando na disputa ao senado, cada movimento seu altera o tabuleiro. Em um cenário aberto, fragmentado e altamente estratégico, Rocha não é apenas mais um ator — é a peça que define o ritmo, o tempo e as possibilidades do jogo.
A eleição ainda está longe de ser decidida. Mas uma coisa já é evidente: quem quiser vencer em 2026 precisará, de alguma forma, jogar no tabuleiro que Marcos Rocha desenhou — ou saber enfrentá-lo.


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